JORNAL DROP EDIÇÃO Nº 85
Já estava na hora: MP3 à prova d’água
Depois de muita expectativa, os tão sonhados tocadores MP3 à prova d’água vem se tornando produtos cada vez mais comuns nas prateleiras das lojas de surf de todo Brasil.
O número de marcas que vem buscando aperfeiçoar essa tecnologia torna o tocador cada vez mais acessível - leia-se também, baratos - aos praticantes de surf.
São quatro as principais marcas, que desde 2007, divulgam suas diferentes tecnologias com o objetivo de tornar possível ouvir um som de boa qualidade enquanto se pratica um esporte aquático.
A Billabong, juntamente com a Freestyle Audio, foi a primeira marca do surf a lançar o produto acoplado a um wetsuit, o SoundWave Platinum Wetsuit. A Finis, lançou o Swimp3 Surf, diferenciado pelo fato do tocador se prender ao surfista por meio de um bracelete e também pelo sistema de fones de ouvido que transmitem as ondas sonoras através do osso interno do ouvido. A internacionalmente conhecida Aplle, não titubeou e lançou o Waterproof Ipod Shuffle com 1GB de memória. Já a marca 100% nacional, Mormaii, foi a primeira a disponibilizar essa categoria de produto nas lojas do Brasil. O Mormaii Acqua Player, com 1 GB de memória, integra o Kit Water proof, e inclui além do aparelho: fone de ouvido a prova d'água, fone Street, strap de braço, bolsinha de neoprene, carregador bi-volt com bateria de litium, cd de instalação, cabo USB, manual de instrução, vídeos e mais.
O preço dessas novidades ainda é "salgado", você pode conferir na relação abaixo:
Billabong - SoundWave Platinum Wetsuit: entre R$ 589,00 e R$ 800,00 (reais)
Finis - Swimp3 Surf: U$ 149,00 (dólares)
Aplle - Waterproof Ipod Shuffle: U$ 175,00 (dólares)
Mormaii - Kit Water proof: entre R$ 449,00 e R$ 499,00 (reais)
A consulta dos preços não inclui frete e impostos, no caso dos aparelhos serem adquiridos via importação ou através de lojas virtuais especializadas.
Valeu a pena esperar?
Valeu sim e quem sabe, valha esperar um pouco mais.
Como se referem a bens de importação, esses produtos eletrônicos demoram a chegar às lojas do Brasil. Proteger o mercado interno das importações com excesso de burocracia, de taxas e severas restrições de caráter subjetivo, é costume em todas as nações. Como a exemplo dos nossos produtos da agroindústria, como: a carne, o frango e a soja, quando tentam penetrar nos mercados europeus. A licença para exportarmos para estes países pode levar até 6 anos para ser concedida. O lado positivo dessa demora foi dar a oportunidade para que alguma empresa passasse a desenvolver o produto em nosso território, gerando emprego e renda para o Brasil, assim como fez a Mormaii.
Além disso, como se sabe, o mercado tenta extrair a maior taxa de lucro possível das novidades tecnológicas, assim como, quando surgiram os primeiros tocadores MP3, DVD´s, telas planas, etc. Por isso, é uma tendência a expressiva queda no preço dos tocadores á prova d’água.
Dessa forma, concluo que a “demora” foi muito saudável do ponto de vista econômico e que vale a pena esperar, aliás, diria Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
O oscar das marcas de surf: SIMA Awards
A SIMA Surf Industry Manufacturers Association (Associação das indústrias do Surf), promove anualmente, desde 2003, um evento de reconhecimento dos produtos e da imagem das marcas que se esforçaram para expandir o mercado do surf, utilizando-se de criatividade e consciência social e ambiental.
Dentre as categorias mais almejadas pelas marcas, estão os prêmios de: marca do ano, marca com maior projeção no ano, retalhista feminino e retalhista masculino do ano, campanhas de marketing masculino e feminino do ano, acessório do ano, marca com maior responsabilidade ambiental no ano, tênis do ano, wetsuit do ano, modelo de prancha do ano.
Fundada em 1989, a SIMA representa os interesses das indústrias norte americanas voltadas para o mercado do surf, e assim sendo, nenhuma empresa do Brasil concorre aos prêmios.
É necessário fazer a inscrição e ser selecionado por meio de voto para estar entre os cinco indicados de cada categoria. A classificação envolve um processo “pra lá” de desconfiável. O vencedor é definido ao final de quatro etapas. A decisão fica a critério dos membros da SIMA e dos “especialistas” do mercado varejista.
Embora contenha certo grau de desconfiança nessa história, o objetivo de promover o aquecimento do mercado e estimular o consumo é alcançado pela SIMA. Prova disso é a expectativa gerada pelos veículos de informação especializados no segmento surf quanto ao anúncio dos vencedores de cada categoria.
O Jornal Drop não vai deixar passar em branco esse acontecimento, e na próxima edição o leitor poderá conferir as marcas e produtos que estão em evidência no Norte da América. A cerimônia de premiação ocorrerá dia 16 de maio no México, na cidade Cabo de São Lucas.
O Brasil é o maior consumidor de artigos têxteis do segmento praia (ou beachwear). Esse mercado movimenta anualmente R$ 2,5 bilhões de reais, mas por aqui ainda não existe organização com tamanha representatividade e integração com o mercado do surf como a SIMA.
As principais feiras de Surf que ocorrem nas principais capitais litorâneas do Brasil acabam servindo como trampolim para entrada de produtos via importação. Workshops são realizados pelas próprias marcas a fim de divulgarem suas coleções e ações de marketing. São iniciativas isoladas, mas que merecem respeito e atenção do mercado.
Neste mês de abril, por exemplo, a Overboard reuniu gerentes e vendedores de 10 lojas da sua rede para divulgação das marcas WG e TopCia. O time Overboard sorteou brindes e cadastrou os participantes para receberem o newsletter das marcas, dos produtos, dos atletas, enfim, de tudo que rola dentro da Nacional Company.
A ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção) também realiza a “Surf & Beach Show”, maior feira do segmento moda surf da América Latina, que busca antecipar tendências e orientar os retalhistas para facilitação de negociações que possibilitem uma expansão do nosso promissor mercado da moda surf. Segundo dados da própria ABIT, o segmento beachwear representa 15% da indústria têxtil nacional, a tendência é de crescimento.
Mercado há, o que falta são estímulos ao investimento, como: desburocratização no processo empregatício, de produção e de comercialização de novas mercadorias. Sem falar nas elevadas cargas tributárias e na mutante capacidade empreendedora para superar as dificuldades da desleal concorrência imposta pelo contrabando de eletrônicos do Paraguai e pela importação de têxteis de “parceiros” comerciais como a China e a Índia.
O mercado do surf fica no aguarde dessas mudanças, elas têm inclusive, relação muito estreita com a precária situação dos atletas do Brasil em relação ao resto do mundo. Isso não é suposição, é uma constatação muito simples de se entender: quando o mercado americano lança um novo produto, um atleta é chamado para fazer a divulgação e transmitir credibilidade a este produto. No Brasil, não é diferente.